domingo, 31 de janeiro de 2016

[ESPECIAL] Entrevista com Paulo Back, roteirista da Turma da Mônica

Paulo Back é um roteirista, músico e beatlemaníaco. Ele entrou na MSP para ser desenhista das historinhas, mas Mauricio disse que ele levava mais jeito com roteiro. Foi o primeiro a trabalhar fora dos estúdios, em outra cidade ou estado.

Paulo Back e os personagens da Turma da Mônica

Paulo, quando você começou a trabalhar na MSP?
Maio de 1994. Para ser bem exato, 12 de Maio, quando falei com o Mauricio.

GUILHERME DARÉ – 19 ANOS – SÃO PAULO
Qual o seu roteiro favorito e por que você não escreve para a Turma da Mônica Jovem?

Ih, tem vários. Para ser sincero, eu nem lembro mais de todos. Já são 20 e poucos anos fazendo roteiros. Dá um bocado de histórias. Geralmente as mais emotivas são as que me marcam mais, como a volta da irmã do Chico Bento. Quanto a TMJ, o estúdio já tem uma equipe preparada só para TMJ. Não existe razão para eu me envolver, mesmo porque eu curto demais a turminha tradicional.

Mariana, irmã do Chico, que morreu ainda bebê
e virou uma estrelinha

LUCIANO SILVA – 18 ANOS – RIO GRANDE DO SUL
Qual é a sua opinião com relação às alterações feitas, principalmente nas histórias antigas, ao serem republicadas em almanaques, para serem adequadas ao politicamente correto?

Existem críticas contra e críticas a favor. Não é só o estúdio que sofre com a onda do politicamente correto. Várias outras mídias também. Era algo que não acontecia há poucos anos atrás, mas hoje, com a velocidade e o alcance das informações, muitas pessoas têm o direito de dar sua opinião.  É uma consequência, não uma causa.

HQ modificada para ser republicada em um almanaque:
os policiais estão sem as armas nas mãos

ELIANE CARVALHO – 31 ANOS – SÃO PAULO
Você fez um trabalho muito bacana catalogando e publicando no site Get Back as capas e histórias da Turma da Mônica, desde 1970. Além disso, criou também uma galeria completa com a evolução dos personagens.
Quando e como surgiu essa ideia? O que o Mauricio achou?

Começou quando eu tinha mais tempo. Hahaha.
Como eu tenho uma coleção grande, deu vontade de dividir como outros fãs, então escaneei as capas. Era uma época em que quase não haviam sites voltados para isso, hoje já existem inúmeros sites e blogs da Turma da Mônica, muito melhores.

O Mauricio adorou, telefonou pra mim uma noite. Achou uma doideira tudo aquilo, os comentários, etc. Daí deu uma coceirinha nele de relançar os primeiros gibis com alguns comentários. O Sidney Gusman desenvolveu a ideia e assim surgiu a ‘Coleção Histórica’.

Site Get Back, criado por Paulo, com as capas de todos
os gibis da Turma da Mônica

MARCOS ALMEIDA JÚNIOR – 16 ANOS – MINAS GERAIS
Qual seu personagem preferido e qual história feita por você foi marcante usando esse personagem?

Eu digo que o personagem preferido é aquele que estou vivendo no momento, fazendo a história. As do Chico são as mais marcantes.

Teve uma chamada ‘O Rio da Vida’, que fiz de madrugada. Acordei e fiz... mas não lembro muito de ter feito. Praticamente se fez sozinha. Trata da trajetória de um rio como se fosse a vida e morte.

Chico Bento nº 59, Editora Panini, "O Rio da Vida"

MARIANA AKIKO – 37 ANOS – SÃO PAULO
Como você não trabalha no estúdio, mas em casa, tem alguma técnica para administrar gatos, trabalho e a banda na sua vida? Sem contar a paixão mais importante, que é a Silvia.

Eu tenho uma máquina triplicadora do Franjinha. Na verdade são 3 eus, mas não conta pra ninguém!
Quanto menos tempo você tem, mais tempo você arruma pra tudo. Na verdade, amo tudo que faço, inclusive a paixão mais importante que é a Silvia, que me dá uma baita força em tudo que faço.

Paulo Back e Mauricio de Sousa

CÁSSIO JOSÉ – 16 ANOS – SANTA CATARINA
Qual sua fonte de inspiração para criar as histórias?

Infância, lembranças, comentários, observações, programas de tv, filmes, outras  histórias... os próprios personagens muitas vezes já dizem qual caminho seguir. O mais importante é ter um tema. Pode ser um ‘apontador de lápis’, daí já surgem várias ideias, um vilão, uma mágica, qualquer coisa. Não é fácil, mas a gente pega uma pequena prática com os anos.
Mas tem aqueles dias que não pinta nada. Aí é o desespero total.

São fases. É inspiração, mas na maior parte do tempo é transpiração mesmo.

EDER PAULO SILVA – 35 ANOS – SÃO PAULO
Gostaria de saber como você se sentiu com o fim da Coleção Histórica Turma da Mônica e se a MSP pretende voltar com ela ou com um projeto parecido.

Todos nós ficamos tristes.
Mas é uma decisão editorial que tem que ser cumprida.

Primeiro e último volumes da Coleção Histórica, de setembro de 2007 e
novembro de 2015, respectivamente.

IURY SANTOS LIMA – 18 ANOS – RONDÔNIA
A Editora Panini lançou uma jogada de marketing reiniciando a contagem das edições da turminha. Anteriormente, a Turma mudou de casa e também reiniciou a contagem.
Como roteirista, você não acha que isso acaba bagunçando o universo da Turma da Mônica?

Mas isso não é um procedimento exclusivo da Panini ou da Turma da Mônica.
É um procedimento frequente em revistas de super heróis da DC e Marvel.
Vez ou outra esses gibis são reiniciados.
É uma oportunidade para alguém começar a colecionar.

Assim como existe coleções da Abril e da Globo, e a da Panini dá o direito dos mais jovens colecionarem seu gibi favorito desde o início.

As revistas da Turma da Mônica foram reiniciadas depois que 
chegaram ao centésimo número

CLÁUDIA REGINA – 37 ANOS – SÃO PAULO
Qual história escrita por você deveria virar um filme, na sua opinião?

Ixi... Bom, na verdade, várias já viraram desenho animado.

Mas... saiu uma há pouco tempo sobre os chupa-cabras que poderia virar um filminho de ficção. Lógico que teria que alterar e preencher muita coisa, mas a ideia está lá. ;)

Chico Bento nº 9, Editora Panini, "O Mistério do
Chupa-Cabra"

Muito obrigado pela entrevista, Paulo!
Agradeço também aos amigos que participaram!

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Turma da Mata em: Nunca diga NUNCA! - Meu Roteiro


Olá, pessoal!
A postagem de hoje é sobre um roteiro que fiz em 2014, da Turma da Mata. A história tem como tema um ditado popular: Nunca diga Nunca! Confira abaixo:

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Chico Bento já foi papai... de um ET?!

Olá, pessoal!
Engana-se quem pensa que o Chico Bento foi chamado de "papai" só na história o "O Filho do Chico" (CBM #11 - Editora Panini). Na verdade, o caipira já tinha sido chamado assim há alguns anos antes, ainda na Editora Globo! E o mais engraçado... por um extraterrestre!

Foi na revista CHICO BENTO Nº 414, de novembro de 2002, do tempo em que os gibis dele, da Magali e do Cascão eram quinzenais. A publicação, com aproximadamente 35 páginas, custava apenas R$ 1,90.

Na história de abertura "PAPAIII!!", um OVNI (Objeto Voador Não Identificado) cai no sítio do Chico e ele se vê obrigado a cuidar do pequeno ser! Logo, ele descobre que o ET tem poderes especiais e muitas confusões acontecem! Confiram a história na íntegra:





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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Vizinhos Opostos" - A primeira HQ do gibi da Magali

Olá, pessoal!
Hoje eu trouxe uma HQ pra lá de especial! Afinal, essa foi a primeira história do gibi nº 01 da Magali, lançado em fevereiro de 1989, pela Editora Globo, custando Cz$ 360,00.


Eu consegui o gibi no Estante Virtual, por apenas R$ 15 mais o frete, totalizando quase R$ 20. Valeu a pena, pois a revista está em bom estado de conservação, só não tem a caixinha original com a qual foi lançada.

Confira, na íntegra, a história de abertura, Vizinhos Opostos, com Magali e Dudu:




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domingo, 10 de janeiro de 2016

CEBOLINHA Nº 229 - Meu primeiro gibi da Turma da Mônica

Olá, pessoal!
Depois de muito tempo sem postar aqui, venho mostrar o gibi que deu início a minha coleção da Turma da Mônica. Ganhei a revista há mais de 10 anos (tinha apenas 6 anos) e foi a partir disso que eu comecei a comprar as HQs do Mauricio de Sousa constantemente. Antes, eu já tinha uns dois ou três gibis que se perderam, por isso, considero que a coleção começou a partir desse.

O gibi Cebolinha nº 229 chegou às bancas em julho de 2005, publicado pela Editora Globo, custando R$ 2,90.

Capa do gibi Cebolinha nº 229
A capa (ainda da época em eram estampadas com piadinhas), mostra uma situação cômica: Cebolinha patina no gelo carregando a Mônica e percebe que o gelo está se quebrando devido ao peso da garota. Eu gostava muito das capas com piadas, que estão fazendo falta atualmente.



Trechos da história "O Arrependiz"
Lembro-me que quando vi a primeira história do gibi, levei um pequeno susto, porque era diferente das outras que havia visto. Em "O Arrependiz", paródia do reality O APRENDIZ, Cebolinha reúne os garotos no Clube dos Meninos e eles têm que enfrentar provas de provocações à Mônica. Claro que tudo dá errado no final. Até a Magali participa da história como assessora do Cebolinha, mas, no final, ela revela que só estava lá por causa da comida. Uma curiosidade é que no final da história, Cebolinha vai para o limbo dos personagens "demitidos" dos quadrinhos, onde aparecem os esquecidos, como Boa Bola, Mingão, Nico-Demo, Garotão, Palestrino, Leonardo e Bernardão.

Trecho da história "Buáá! Buáá!"
Na segunda história, "Buáá! Buáá!", Frank tenta ajudar uma garota que teve seu ursinho rasgado, transformando o Penadinho em vários brinquedos para ela. Quando a menina vai embora, Frank fica triste e Penadinho se transforma na garotinha para alegrar o amigo.

Trecho da história "Herói de Verdade"
Na HQ protagonizada por Titi, "Herói de Verdade", vários garotos do bairro aparecem vestidos de super-heróis, convidando-o para brincar. Ele nega todos os pedidos, pois está atrasado para um encontro com a Aninha. Quando chega, salva a menina de uma barata e acaba se sentindo um herói.

Trecho da história "A Herança"
Em "A Herança", Piteco recebe uma carta dizendo que ganhou uma herança de um tio que acabou de falecer. Logo aparecem uma pessoa querendo fazer sociedade com ele, mulheres vestidas de noivas e a até o Tio Glunc arranjando o casamento dele com a Thuga. Porém, antes da celebração, o advogado do tio falecido de Piteco aparece e entrega sua herança: uma clava! Tio Glunc não permite mais o casamento e Piteco acaba achando bom.
Há algum tempo atrás, eram comuns histórias do Piteco desse tipo, que narravam fatos que não estavam voltados somente para a pré-história. Atualmente, a maioria das HQs são bem curtas e mudas, quase sempre envolvendo caça.

Trecho da história "Os Mestres" - Erro no pé do Cascão no penúltimo quadrinho
Na história "Os Mestres", Cebolinha tenta provar ao Cascão que pode se defender da Mônica, o que acaba em em confusão entre os dois, levando a Mônica a desistir das coelhadas. Nessa história há um pequeno erro: Cascão aparece ajoelhado com dedos nos pés!

"A Máquina" e "Cebolinha" são duas histórias curtas que vocês podem conferir abaixo:



Na última história do gibi, "Agente 008", Cascão e Cebolinha se vestem de vilão e herói, respectivamente, em um plano para tentarem não apanhar mais da Mônica. Após Cebolinha "salvar" o Sansão do Cascão, Mônica percebe que era um plano infalível e acaba mandando os dois pra lua, literalmente.

Trecho da HQ "Agente 008"
Confira a tirinha final abaixo:


Esse foi o meu primeiro gibi da coleção, pessoal! Comentem o que acharam e deem sugestões para novas postagens!

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Mônica e Cebolinha em "As Cores da Estação" - Meu Roteiro

Olá, pessoal!

Hoje eu trago uma história que eu escrevi há alguns meses, estrelando a Mônica e o Cebolinha. Na história, como sempre, Cebolinha inventa mais um plano infalível para pegar o coelhinho da Mônica e se tornar o dono da rua. Confiram abaixo, "As Cores da Estação":
(Clique nas imagens para ampliá-las)




Comentem o que acharam do roteiro! 
Em breve, teremos mais uma história com os personagens do mestre Mauricio de Sousa!

sábado, 10 de maio de 2014

ESTREIA! Entrevista EXCLUSIVA com Gerson Luiz Teixeira, roteirista da MSP

Olá, pessoal! Depois de muito tempo fora do ar, o Blog do Renan volta com uma entrevista exclusiva, concedida gentilmente por Gerson Luiz Teixeira, roteirista dos Estúdios Mauricio de Sousa. Confiram:

Renan - Quando e como você começou a trabalhar na MSP?

Gerson Luiz Teixeira - Em 2000, um amigo que trabalhava na animação lá do estúdio mostrou para o Mauricio uns roteiros-teste que fiz da Turma da Mônica, ele gostou e me convidou para escrever para ele.

Renan - Existe alguma história que te marcou, foi mais importante para você?

Gerson - Teve uma história que fiz chamada: Dona Morte Bigbrother, que o Mauricio classificou como antológica e recebi comprimentos de muitas pessoas lá do estúdio. O título já diz tudo, era uma sátira do reality show em que a Dona Morte participava.

Renan - Como é ser funcionário do mestre dos quadrinhos, Mauricio de Sousa?

Gerson - Nunca vou me esquecer do primeiro contato que tive com ele. Desde o primeiro momento, sempre se mostrou muito simpático, amigo e carismático.

                     
                          Roteiro de "A bruxinha travessa"                      Capa da revista Magali com a história na abertura

Renan - Você já criou uma história em quadrinhos baseada em um fato que você ou sua família já viveu? Qual?

Gerson - Já. Na época da Disney, fiz uma série de histórias com o Pena da Selva, em que ele vivia as coisas pelas quais eu estava passando na minha vida de recém-casado, como levar a Glory Jane (namorada do Pena) fazer curso de elefante na cidade grande e coisas do tipo.

Renan - Com qual personagem você mais se identifica e com qual você mais gosta de escrever histórias?

Gerson - Na Disney era o Peninha e no Mauricio, tem vários, mas principalmente Chico Bento, Cascão e Turma do Penadinho.

Renan - Quais desses temas você gosta de retratar nas histórias do Chico Bento: sustentabilidade, escola, família, todos os citados ou outros? Por quê?

Gerson - Gosto muito de usar o tema escola nas histórias do Chico. Recentemente fiz uma ensinando a reciclar papel (Papel que vira papel), gosto de usar a Vó Dita (que nunca frequentou uma escola) dando toques, com a sua experiência de vida, ajudando as crianças nas tarefas e trabalhos escolares.
                                                          
Chico Bento nº 74 - Editora Panini

Renan - Qual foi seu maior desafio ao escrever uma história da Turma da Mônica, no começo?

Gerson - Na verdade não tive muita dificuldade. Nos 20 anos de Editora Abril, participei de praticamente todos os projetos, como Luluzinha, Alegria, Trapalhões, Gugu, Sergio Malandro... e fora da Abril, para a Turma do Arrepio, Fofão, entre muitos outros, então estava acostumado a mudar de um universo para outro. Os tropeços que tive no começo foram características que tinham sido recém-alteradas e eu não sabia, como o Cascão não ir mais a lixões. Foi bem naquela época.

Renan - Qual é a sua maior fonte de inspiração?

Gerson - Observação. Saber absorver tudo o que você lê, ouve ou vê e usar quando precisar.
                                                      
História "Memória de Elefante"

Renan - Muitas pessoas não sabem como é o processo de criação de uma HQ da Turma da Mônica. Você pode descrever (roteiro, desenho, arte-final...)?

Gerson -  Tudo começa com uma folha de papel em branco na mesa dos roteiristas. As histórias são criadas e rafeadas com tinta ou lápis bem forte, porque precisam ser escaneadas para envio para o Mauricio. Muitas vezes ele avalia direto no computador e até mesmo no celular, e as que são aprovadas são encaminhadas para a redação para serem produzidas. Os desenhistas pegam o roteiro e fazem o traço a lápis. Em seguida são feitas as letras à mão (em alguns casos já estão sendo usadas fontes de computador, mas o Mauricio prefere o método manual). Depois das letras as páginas vão para a arte final, onde é passada tinta preta sobre os traços a lápis. Depois as páginas são coloridas, passam pela revisão, acabamento... tem uma turma enorme trabalhando pra deixar tudo pronto e caprichado para os leitores.

Renan - Como é a sensação de ver uma historinha que você escreveu sendo publicada em um gibi da Turma da Mônica?

Gerson - É legal ver as revistas na banca, principalmente quando tem uma história sua de abertura na capa. Mas é mais legal ainda, ver uma criança lendo uma revistinha rindo de alguma piadinha, entrando naquele mundinho, não importando se a história é sua ou não. Dá uma sensação de dever cumprido.

Muito obrigado, Gerson, pela entrevista!

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